Como pagar a equipe de um projeto cultural

Por Fernando Cordeiro , especialista em gestão pública de cultura e parecerista

Projeto aprovado é hora de pagar músico, oficineiro, técnica de som e produtora, e a pergunta prática aparece de uma vez: como pagar de um jeito que a prestação de contas aceite. Este guia explica o que serve como comprovação de cada pagamento, por que recibo escrito à mão costuma ser glosado, para que serve a conta específica do projeto e o que fazer quando a pessoa não emite nota.

Cada pagamento precisa de três coisas

O combinado por escrito, o documento fiscal e o comprovante da transferência. Faltando qualquer um dos três, a despesa fica sem prova e pode ser glosada, ainda que o serviço tenha acontecido de verdade e o dinheiro tenha saído da sua conta. Junte os três no dia do pagamento, não no fim do projeto.

Os dois jeitos de pagar uma pessoa

Quem vai receber determina qual dos dois se aplica, e é por isso que a pergunta precisa ser feita na contratação:

Quem tem MEI ou empresa

Emite nota fiscal de serviço, e o pagamento é feito contra a nota. É o caminho mais simples para o proponente, porque a responsabilidade tributária fica com quem emite.

Confira se a atividade descrita na nota corresponde ao serviço prestado e ao item do orçamento.

Quem é pessoa física sem empresa

Recebe por RPA, o recibo de pagamento a autônomo, que descreve o serviço, o valor bruto, as retenções aplicáveis e o valor líquido pago.

Aqui a obrigação de reter e recolher é de quem paga, e é a parte do processo que vale conferir com contador antes do primeiro pagamento.

O que faz uma despesa ser glosada

Glosa é a recusa de uma despesa pelo órgão gestor, e o efeito prático é que o valor volta a ser cobrado de você, com correção. Estas são as causas que mais aparecem, e todas são evitáveis no dia do pagamento:

  • Sem documento fiscal. Recibo escrito à mão, sem os dados e as retenções, não é comprovação para a maioria dos editais.
  • Pagamento em espécie. Não deixa rastro, e vários editais o proíbem acima de um valor baixo.
  • Titular diferente do contratado. Transferir para a conta do marido, do sócio ou de um amigo da pessoa quebra a ligação entre quem prestou o serviço e quem recebeu o dinheiro.
  • Pagamento saindo da conta pessoal. Quando o edital exige conta específica, despesa paga por fora dela perde a rastreabilidade que a conta existia para dar.
  • Despesa fora do período de execução. Gasto anterior ao início ou posterior ao fim costuma não ser aceito, mesmo sendo do projeto.
  • Item que não estava no orçamento aprovado. Remanejamento existe e é permitido em muitos editais, dentro de limites e com comunicação prévia. Gasto criado do nada, sem isso, é glosado.

Sobre valores de cachê

A pergunta sobre quanto pagar não tem resposta única, e desconfie de quem der uma. O que o parecerista avalia é se o valor é compatível com a prática do mercado para aquela função, naquela região e naquele porte de evento. Alguns editais publicam tabela de referência, e nesse caso a tabela manda. Quando não há tabela, o que sustenta o valor é a pesquisa: guarde orçamentos, propostas de outros profissionais ou contratos anteriores que mostrem o preço praticado. Valor muito acima da prática gera diligência, e muito abaixo levanta dúvida sobre a viabilidade do projeto.

Perguntas frequentes

Em geral não, e é o erro que mais aparece. O que os editais aceitam como comprovação de despesa é documento fiscal: nota fiscal de serviço, quando quem recebe é MEI ou empresa, ou RPA, o recibo de pagamento a autônomo, quando é pessoa física. Um recibo simples, sem os dados e as retenções que o RPA traz, costuma ser glosado, ainda que o serviço tenha realmente acontecido e o dinheiro tenha sido pago.

Quem manda é o edital

Este guia reúne o que se repete nos editais culturais brasileiros e no que a lei estabelece. Prazos, documentos exigidos, valores e critérios mudam de um edital para outro, e o texto do edital a que você vai concorrer prevalece sobre qualquer coisa escrita aqui. Leia o edital inteiro, inclusive os anexos.

Fontes oficiais

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Cada pagamento tem três documentos, e eles não podem se perder

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